Votação do impeachment: ainda mais desagradável para asiáticas/os de esquerda

E nós achando que o domingo terminava com essa morte horrível que foi a votação pela admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma. Mas sempre tem um gostinho um pouco mais amargo que as pessoas racializadas são obrigadas a engolir. Para quem não acompanhou, viralizou no twitter e em algumas páginas do Facebook (“Ajudar o povo de humanas a fazer miçanga” e “É por isso que eu amo a internet“, por exemplo) a imagem de um deputado amarelo acompanhado da já clássica e insossa piada do “pastel de flango”. Além de ter que acompanhar a investida fascista na política nacional, encerramos o nosso final de semana lembrando que a nossa raça é odiada, que a nossa história é toda instrumentalizada e que a nossa fala é sempre violentada. Não importa em que contexto, as pessoas racializadas têm de ser sempre lembradas de que, no juízo final, será julgada sua raça, e não suas ações.

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Para quem ainda não entende porque a piada em si é ofensiva, uma rápida passeada pelos comentários deixa muito bem explícito que a piada é a aparência mais elementar do universo histórico, simbólico e material da dominação branca, do racismo e da xenofobia. Veja alguns dos temas mais recorrentes quando o assunto é dominação da raça amarela: Continuar lendo

Globo faz novela sobre imigração japonesa e os protagonistas são brancos #boicoteamarelo

“Luís Melo vai interpretar o patriarca da família japonesa de “Sol nascente”, próxima novela das 18h.” foi a notícia que interpelou a nossa rotina tranquila desta segunda-feira (11), veiculada pelo blog televisivo de Patrícia Kogut. Em tese, a série trata de um patriarca japonês que imigra para o Brasil na década de 60 e ele e suas filhas vão viver as mais loucas aventuras, incluindo muito drama romântico com pares brancos, na vila fictícia do Arraial do Sol Nascente. Das 30 pessoas cotadas e/ou confirmadas para o elenco, divulgados por aí, apenas 4 são de fato amarelas (Dani Suzuki, Carol Nakamura, Geovanna Tominaga e Miwa Yanagizawa) e menos ainda são negras. Outra estrela confirmada é Giovanna Antonelli. Ainda não está bem claro se o seu papel será de filha do tal patriarca, filha adotiva, ou melhor amiga da Dani Suzuki, mas já está muito bem definido que ela será a protagonista. O par romântico cotado é o Bruno Gagliasso, que fará o papel de um filho de italianos. O ator também esteve envolvido na interpretação de uma personagem transexual na série internacional “Supermax”, ou coisa que o valha.

O recurso empregado pela Globo não é novidade, a mídia normativa e tradicional utiliza-se destes artifícios para transformar histórias “étnicas” em narrativas mais apetecíveis ao público geral (leia-se: público branco). As narrativas tradicionais ocidentais estão sempre em busca de construir trajetórias universais, falar sobre temas essenciais e construir arquétipos bem definidos nos quais as pessoas possam se espelhar, obviamente, fabricando modos de vida moral e subjetiva que se enquadrem nas expectativas de normalidade. Por outro lado, histórias “étnicas” só encontram serventia enquanto representarem aquilo que for exótico e diferente, desviante e até ridículo. Continuar lendo