Memórias da resistência asiática na ditadura civil-militar

História e Memória são campos de batalha. Os verbos que acompanham esses nomes sempre provocam tensionamento: narrar ou contar uma história, explicar ou revisar uma memória. Falar do tempo implica uma geografia historicamente situada, uma forma de ser, uma visão cosmológica, uma vontade direcionada. História e memória são falas políticas, ou políticas de fala. O fascismo apagou línguas para que não falassem mais pelas suas próprias palavras. O colonialismo impôs suas línguas para que só se falasse através das verdades estabelecidas e apresentadas. O sonho do liberalismo é que a história fique restrita ao passado e que a memória não seja mais do que capacidade de processamento das transações do aqui e agora. O dominador moderno apaga as possibilidades do sujeito, transforma tudo em objeto e cria representações que melhor convêm às suas próprias vaidades.

Aprendemos a questionar a história oficial e a bater de frente com a memória do vencedor, e já o fizemos mais de mil vezes. Entretanto, às vezes não nos damos conta de que até a história da resistência configura moldes hegemônicos e trajetórias normativas. A história marginal também é contada por homens brancos e, enquanto isso, os rastros de nossa existência são meros espectros residuais em uma realidade ilusória e fetichizada.

Hoje, em meio à crise da democracia liberal e da liberdade que os oprimidos de sempre nunca viveram, recobramos nossas memórias para por em curso a história pela qual lutamos. Antagonizamos aqueles que prestam homenagens a torturadores da ditadura e combateremos até o fim o avanço conservador e autoritário do republicanismo colonial, racista e golpista. Hoje, contamos a história de pessoas asiáticas que morreram, desapareceram e/ou foram torturadas na ditadura civil-militar. Revolucionários, radicais, militantes que dedicaram suas vidas à luta contra o fascismo. É também pela memória dessas pessoas que seguimos em luta pela libertação de todos os povos, pela autonomia popular e pela emancipação da classe trabalhadora. E reivindicamos: existe uma história que ainda é marginal, porque ela é radical, porque ela não foi embranquecida, e nós nos juntamos a ela! Continuar lendo

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