‘Também temos memória, cérebro, coração, tripas’, Ingrid Sá Lee fala de arte e feminismo asiático.

Artista visual de origem norte-coreana, bissexual e deficiente auditiva traz seu trabalho para São Paulo.

FEIRA ING.png

Entre os dias 13 e 15 de novembro, o Museu da Imagem do Som em São Paulo (MIS-SP) organiza a I Feira Des.Gráfica, com o intuito de promover publicações e quadrinhos que “desenvolvem trabalhos narrativos de experimentação gráfico-visual“. O foco do evento é na produção de vanguarda, abrindo espaço para artistas trabalharem suas autoralidades.

Ingrid Sá Lee, artista visual radicada em Belo Horizonte/MG estará no evento divulgando uma série de trabalhos que tratam da imagem da mulher asiática, fazem crítica ao imperialismo ocidental e aos ideais nacionalistas, ao mesmo tempo que reconstrói sua identidade étnico-racial. A artista estará expondo seu novo zine, “A Boneca“, e, em parceria com o coletivo feminista asiático LÓTUS PWR – Empoderamento do Feminismo Asiático, que se organiza principalmente na capital paulista, também estará vendendo material original colaborativo, com o intuito de subsidiar e fortalecer as ações do grupo.

lotuspwr6

Arte para o coletivo LÓTUS PWR

Mestiça de pai norte-coreano, deficiente auditiva bilateral de grau moderado e bissexual, Lee organiza em sua obra as inquietações de uma pessoa que se encaixa frequentemente em uma “zona cinzenta” da militância política. O blog Outra Coluna inaugura sua nova seção de entrevistas populares celebrando essa trajetória, que torna o trabalho de Ing Lee tão autêntico e combativo, transformando a nossa luta também em resistência estética.

Leia a entrevista na íntegra a seguir!

IMG_170911.jpg

Ingrid Sá Lee: ‘Graças ao anarquismo, pude construir melhor minha visão sobre a minha relação com as Coreias.”

Outra Coluna: Em novembro, você estará na 1ª Feira Des.Gráfica no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo. Que tipo de trabalho você trará?

Ingrid Sá Lee: Pretendo trazer meu zine, “A Boneca”, que é um zine de 8 páginas em serigrafia e consiste numa série de ilustrações sobre o que uma boneca é, além de, bem, ser uma boneca. “A boneca tem cérebro”, “A boneca peida”, “A boneca tem tripas”, “A boneca sangra”… A capa é uma boneca coreana encaixotada, o que deixa implícito que com isso também trago questões étnicas. Com este zine, abordo sobre as expectativas machistas e racistas sobre uma mulher asiática, que é tida como uma “boneca”, um brinquedo, um mero objeto, belo e submisso. Subverto isso, mostrando que não somos apenas isso, que temos, “incrivelmente”, também temos memória, cérebro, coração, tripas, sangramos, peidamos e cagamos como qualquer outra pessoa.

Também estarei vendendo serigrafias e impressões de desenhos meus, que ligam com a temática norte-coreana e com a Lótus Pwr! Desenvolvi algumas artes gráficas para a Lótus e decidi vendê-las nesta feira para já irmos divulgando nossa iniciativa. A Tami [Tahira] trará bottons com ilustras minhas e talvez também estaremos vendendo camisetas com estampas da Lótus

a-boneca-tem-tripas

“A Boneca tem Tripas”, 2016. Parte do zine “A Boneca”.

OC: Quando você começou a se envolver com o feminismo asiático e quando você começou a incorporar essa temática na sua obra?

Lee: Bom, quando fiz esse zine, eu ainda não estava tão envolvida com feminismo asiático, Perigo Amarelo… Mas já eram coisas que eu meio que sempre soube que rolavam, de me sentir considerada e reduzida muitas vezes como uma “bonequinha”, como se eu fosse alguém frágil, submisso, meigo, e que minha existência se resumisse apenas à isso. O que me deu a ideia do zine foi uma tela que fiz, chamada “A Boneca tem Cérebro”(imagem abaixo).

fa0bc2_40d95143970f4d9988e1c03119667044

“A Boneca tem Cérebro”, 2016

OC: Como você encontrou o feminismo asiático?

Lee: Foi a ligação natural que ocorreu quando comecei a me envolver com o grupo do Perigo Amarelo. Despertei-me para questões do recorte amarelo, como mulher asiática, e tomei consciência de que como envolvem questões que merecem ser abordadas, porém infelizmente são ignoradas e negligenciadas pela militância feminista num geral, que no máximo consegue estabelecer um recorte racial sobre o feminismo negro, mas sua sensibilidade para além disso ainda deixa a desejar… Já passei por várias discussões com outras feministas deslegitimando meus discursos como mulher asiática, como se eu não sofresse racismo também. Esquecem-se que asiáticas são pessoas não-brancas, e que por mais que não se iguale, claro, com o racismo sofrido pelos negros e indígenas, ainda assim não pode ser ignorado. O único caminho que vejo agora é o da interseccionalidade, sem isso, não temos como prosseguir de uma forma acolhedora, pois noto que há uma tendência em esmagar essas variáveis existentes em recortes sociais, o que é bastante perigoso e nocivo.

lotuspwr5

Divulgação: LÓTUS PWR

OC: Além disso, você ainda milita pela acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência, contra o capacitismo. Pode nos contar um pouco dessa militância?

Lee: Posso dizer que tive um certo azar em cair justamente nessas “áreas cinzas” da militância… Seja como mulher amarela, bissexual e com deficiência, são três tipos de opressões muito negligenciados pela esquerda em geral.

Tenho deficiência auditiva de grau moderado a severo, bilateral e sou oralizada (não-sinalizada, converso e escrevo bem porque fui alfabetizada quando ainda a perda era leve). Descobri aos meus 15 anos que tinha perdido mais audição, e desde então faço uso de aparelhos auditivos, que me ajudam muito em meu cotidiano, embora não se comparam a óculos de grau, por exemplo, porque um aparelho auditivo amplifica o som de acordo com as frequências que você não escuta bem, mas como a perda é irreversível já que se tratam de neurônios perdidos, não tenho mais sensibilidade para certas coisas – não escuto pernilongos, por exemplo, e tenho dificuldade de ouvir a chuva -, e confundo os fonemas, pois o grau da minha perda auditiva passa justamente pela área que faz a distinção deles, então para mim é crucial que numa conversa haja a leitura labial, para que eu consiga interpretar melhor o que as pessoas dizem.

Meu irmão caçula, João Henrique, tem 4 anos de idade e há 2 foi diagnosticado com autismo. O autismo é um distúrbio neurológico de vários espectros – no caso do Joãozinho, ele é de grau moderado, por ser ainda não-verbal -, englobando um leque de possibilidades e interpretações, pois suas características variam de indivíduo para indivíduo. Porém, acima de tudo, o transtorno se caracteriza principalmente pela questão da hipersensibilidade.

“Seja como mulher amarela, bissexual e com deficiência, são três tipos de opressões muito negligenciados pela esquerda em geral.”

Enfim, estes dois fatores foram cruciais para o meu engajamento pela luta por mais inclusão, acessibilidade e contra o capacitismo. Pois além de eu mesma sentir na pele como é ser uma pessoa com deficiência auditiva, também convivo com uma criança com autismo, e vejo de perto os desafios que passamos por causa disso. Muitas escolas não tem práticas inclusivas, negligenciam a exclusão e o bullying sofrido pelos alunos com deficiência, vários lugares ignoram questões de acessibilidade, o que dificulta a ocupação dos espaços por pessoas com deficiência, além do mercado de trabalho que nos exclui de exercer profissões, até porque é muito difícil ser qualificado tendo uma deficiência considerando todos os fatores que dificultam nossa inserção social. Apenas 7% das pessoas com deficiência no Brasil possuem ensino superior completo, enquanto 61% não completaram nem o fundamental (Censo de 2010 da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência), isso considerando que a média nacional da população brasileira de pessoas que tenham pelo menos um tipo de deficiência é de 23,9%, o que significa 45,6 milhões de brasileiros. Tendo isso em vista, é realmente absurdo que as políticas inclusivas sejam tão negligenciadas e sucateadas, e a militância de esquerda não pode ignorar este recorte. Eu percebo que muitos posts que faço, sobre feminismo ou outros temas mais populares, recebem várias curtidas e comentários, enquanto os que faço sobre tais questões não despertam o mesmo interesse. Por quê? Porque somos invisíveis para vocês? Eu sempre, sempre bato de frente quando vejo alguém sendo capacitista, pois sei que se eu não o fizer, ninguém o fará. Infelizmente ainda me sinto muito solitária nesta luta, mas jamais abrirei mão dela, não só por ser algo que faz parte de mim, mas também porque não posso ignorar quase 1/4 da população que sofre por isso também. Nós, pessoas com deficiência, existimos e resistimos!

OC: Para você, o que significa ser parte da diáspora norte-coreana?

Lee: Esse meu lado sempre foi um tanto que conflituoso de lidar e compreender. Meu pai nasceu na Coreia do Norte um pouco depois da separação das Coreias e fugiu com sua família para a do Sul com apenas 3 anos de idade. Morou lá até seus 18 anos, onde foi doutrinado a odiar seus irmãos comunistas, então posso até mesmo afirmar que ele não chegou a experienciar como é viver lá, e sim apenas nutre esta visão distorcida sobre o que é a Coreia do Norte. Infelizmente não tive contato com os meus avós, que faleceram antes mesmo de conhecê-los, e nem com o resto da minha família paterna… Mas sei que meu avô foi médico durante a Guerra das Coreias e foi ele quem decidiu fugir de lá, pois não compactuava com a ideologia comunista, por mais que lhe fosse concedido uma posição privilegiada pelo fato dele ser médico, que foi justamente a razão pela qual ele encontrou brechas para conseguir desertar, assim como cerca de 30% da população fez na época, segundo meu pai.

Como meu pai nunca fez questão de me ensinar sobre a cultura coreana num geral, cresci com uma visão extremamente superficial do que são as Coreias, principalmente o que é a Coreia do Norte, que é algo ainda misterioso para mim, assim como imagino que seja para muitas outras pessoas. Porém, de uns tempos para cá, decidi pesquisar por mim mesma o que é parte daquela península isolada, entrei em alguns grupos (North Korea Study Group e DPRK Study Group) que foram os meus pontos de partida para começar a desconstruir essa visão distorcida pela mídia imperialista, onde pude concluir que, de fato, muito do que circulam como fatos do que acontece e como é lá, são farsas, inclusive os próprios relatos de refugiados, que podem vir a ser extremamente sensacionalistas – afinal, o governo sul-coreano paga pelos seus depoimentos. A Coreia do Norte pode ser considerada um símbolo de resistência ao imperialismo, e suas táticas de mostrar ao mundo que eles também têm em mãos a bomba atômica não é loucura, como a mídia os coloca, e sim uma tática de auto-defesa altamente racional (gosto muito desta análise sobre isso). Um aspecto que acho muito interessante entre os norte-coreanos é como sua memória histórica sobre os males que a guerra lhes causou é muito forte, ao contrário de vários outros países dominados e submetidos pelo ocidente.

pulgasari3

“Pulgasari, o Godzilla norte-coreano”, 2016

Devo frisar, aliás, que não sou simpatizante da ideologia Juche de forma alguma. Eu abomino qualquer forma de poder, ainda mais da forma autoritária que se dá, com culto à figuras que são tidas como pais inquestionáveis, quase que como uma religião. Assim como também abomino o que a Coreia do Sul se tornou, um país que até hoje é altamente colonizado pelos EUA, que ignora mazelas sociais em prol de políticas progressistas conservadoras para seu desenvolvimento econômico, e teve sua ditadura militar varrida para debaixo dos panos, chegando até mesmo sendo vista como um “mal necessário” para que se tornasse o que o país é hoje em dia.

Graças ao anarquismo, pude construir melhor minha visão sobre a minha relação com as Coreias. Não me sinto parte norte-coreana, e sim mais um fruto da Guerra Fria, que ao contrário do que os livros de história dizem, ainda não acabou. Recuso ideais de nação e nacionalidade, pois o que é uma nação, um país? O que a define? É um território que é dominado (“domi”/”nação”), por meio da guerra. A questão étnica não é e nunca foi definidora para criar tais divisões, até porque se fosse, as Coreias não teriam sido divididas e seus semelhantes obrigados a guerrearem entre si, assim como a África teve seus países divididos pelos europeus da forma que bem entenderam, o que é uma das principais razões para sua miséria atual, negligenciada pelos próprios países que trouxeram sua desgraça.

 

OC: Você tem trabalhado muitas referências da cultura pop nas suas obras, principalmente do leste asiático. Mais recentemente, você lançou uma série de autorretratos feitos em MS Paint. Você pode nos contar mais sobre sua pesquisa artística e por que você escolheu essas referências estéticas?

Lee: Como falei, eu não tive contato com a cultura coreana. E só recentemente pude perceber que o meu primeiro contato com algo do leste asiático foi por meio da cultura pop japonesa, que no ocidente é muito mais acessível do que cultura coreana. Creio que isso criou um vazio identitário forte em mim. O que gerou esse apego à referências do pop japonês que chegavam até a mim. Tanto que comecei a desenhar e só estou seguindo a carreira de artista porque quis começar a desenhar por causa de Pokémon e anime em geral, foram minhas primeiras referências artísticas. E dentro da Escola de Belas Artes, eu me recusei a passar por aquele processo mutilatório pelo qual vários alunos que entram com referências no anime e mangá passam. Porque de fato o mangá contamina seu traço, limitando sua concepção artística… Mas consegui escoar, conhecendo a existência de um movimento de arte contemporânea japonesa chamado Superflat, que pega justamente esse enlatado cultural, o lixo pop que circula ali, e mandam de volta pro ocidente, inspirados na Pop Art. E não parei aí. Continuei pesquisando. Procurando referências artísticas, fugindo de sobrenomes europeus ou estadunidenses. Infelizmente na biblioteca da EBA-UFMG não posso contar com isso, onde a seção de arte asiática se limita a nem uma prateleira inteira – enquanto nomes euro-estadunidenses ocupam estantes inteiras. Tive que buscar isso de forma quase que totalmente independente. Tais referências me ajudaram muito a me reconstruir artisticamente. Me despertaram muito sobre quais temas eu poderia abordar, inspiram-me de forma absurda, além de me auxiliarem em meus conflitos internos. Por isso, faço uso do kitsch, é bem perceptível essa influência nipônica em meus trabalhos

Sobre os trabalhos feitos no MS Paint que ando desenvolvendo, em uma série de desenhos digitais, que posteriormente serão convertidos em serigrafias: eles consistem em vários auto-retratos, caricaturais e distorcidos, porém tal distorção se dá de uma forma que vejo como uma busca pela auto-aceitação da minha imagem, diz sobre a minha relação com o meu corpo, que sempre foi muito conturbada… Como mulher e amarela, carrego cicatrizes ao longo de minha vivência, e algumas feridas tentando cicatrizar, sobre minha auto-imagem. Nunca tive um corpo nos padrões que a sociedade me exige, magro ou curvilíneo, eu não tenho bunda, nem muita cintura, meus ombros são largos, assim como meu busto, o que me faz ficar num lugar que não se encaixa em nenhum desses dois padrões estéticos esperados da mulher: a corpulenta, “gostosa”; ou a magérrima, que sob um recorte amarelo, é um dos que mais me afetaram, pois sempre senti essa cobrança de me encaixar naquele padrão de “lolita asiática”, por ser grande demais. Sempre senti que meu rosto fosse muito largo, meus ombros enormes, meus peitos desproporcionais e grotescos, pouquíssimos foram os momentos em minha vida que pude me encarar nua no espelho sem sentir nojo de mim mesma. Eu notava que anteriormente, meus auto-retratos consistiam mais em como eu queria que as pessoas me vissem do que como eu de fato sou – ou me sinto. O rosto sempre era mais fino, ombros mais esguios, olhos grandes, silhueta longa e tão afunilada, que chegava a ser um pouco doentio. Ao me desenhar sob outro ponto de vista, tentando desconstruir esses padrões que me foram impostos e também impus para mim mesma, eu estou percebendo que cada vez mais consigo digerir melhor meu reflexo no espelho. Os traços caricaturais realmente não são como eu de fato sou mesmo, porém são bem mais próximos do que como eu me retratava antes. Eles destacam coisas que eu não queria ver, encarar. E junto a isso, somo tais figuras à dizeres não muito usuais, com um tom ácido e irônico, beirando muitas vezes ao escatológico. Frases nada aceitáveis de serem ouvidas saindo da boca de uma mulher, ainda mais uma mulher da qual se espera cumprir com seu papel de lolita asiática fofa e meiga. É uma forma que encontrei para subverter papéis de gênero, meios de não-performar feminilidade.

bundinha

“Send me bundinha”, 2016

 

OC: Quais artistas você tem acompanhado e gostaria de nos recomendar?

Lee: Eu venho acompanhando muito os trabalhos da Misaki Kawai, artista japonesa que mexe muito com essa coisa da estética kitsch e de brinquedos. Gosto muito dela, é uma de minhas principais referências, adoro muito como ela faz uso das cores, o que não é muito usual para artistas contemporâneos, que parecem ter medo de usarem a cor – e se usam, o faz de uma forma asséptica e pontual. Também vale mencionar John Yuyi, Ji Yeo, Mariko Mori, Yumiko Utsu e Hyungkoo Lee (que até tenho adicionado no Facebook e ele curte minhas coisas no Instagram, mas nunca tive coragem de falar com ele! hahaha). Gosto também da mangaká Nekojiru, que é do meio dos mangás underground e inclusive vou publicar uma matéria que elaborei sobre ela na Lótus! E uma de minhas referências principais de animação é o Masaaki Yuasa, gosto muito da forma como ele vê o mundo, Kaiba é meu título preferido dele.

OC: Para finalizar, você poderia nos contar sobre seus próximos trabalhos?

Lee: Venho tentando desenvolver experimentações com brinquedos, como tamagotchis e Pikachus, e quero intervir e hackear bonecas para criar uma série tridimensional e interativa no mesmo raciocínio do meu zine!


I Feira Des.Gráfica

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s