Solidariedade indígena: Ryukyu, Ainu e Standing Rock

No dia 19 de março, o casal Kamiyui publicou um vídeo declarando o apoio de Okinawa à resistência em Standing Rock contra o oleoduto na Dakota do Norte, que passa pelo território indígena da tribo Sioux.

Mais do que apenas uma demonstração em prol de direitos humanos, a solidariedade de Okinawa é uma expressão do movimento de descolonização; diante da ameaça da construção de mais uma base militar estadunidense em Henoko, local que carrega em si a ancestralidade okinawana, os povos de Ryukyu se identificam com a dor dos Protetores da Água em Standing Rock. É o reconhecimento da dor que todos os povos indígenas ao redor do mundo enfrentam, lutando pela preservação de suas identidades e de suas terras, não como propriedade, mas como um legado de seus antepassados e campo de sua cultura.

Continuar lendo

A origem do Perigo Amarelo: Orientalismo, colonialismo e a hegemonia euro-americana

yellow peril

(O texto original foi submetido como trabalho final do curso semestral de História da Unesp-Araraquara.)

Introdução

Este trabalho procura explorar a origem do mito do Perigo Amarelo e suas funções no imaginário ocidental durante os séculos XIX e XX, traçando um panorama geral de acontecimentos que levaram à criação de paranoia que culminou em políticas deliberadamente excludentes e, em algumas ocasiões, numa forma de racismo letal. Desde a suposta origem do termo até o final do século XX, aqui estão expostos alguns exemplos de violência, tanto popular quanto institucionalizada, causados pela lógica do inimigo comum.

O tema abordado, aliado ao conceito de Orientalismo desenvolvido por Edward Said, ainda é lamentavelmente atual, dado o contexto contemporâneo da Guerra ao Terror, somado à islamofobia e à xenofobia explicitamente presentes nos debates sobre o acolhimento de refugiados, questões de imigração e direitos humanos no Ocidente.

Continuar lendo

Tomoya Hosoda tornou-se o primeiro homem trans a se tornar titular de um mandato em cargo político

07

Pela primeira vez na história um homem trans foi eleito a um cargo político.

No dia 17 de Março de 2017, Tomoya Hosoda (細田 智也) conseguiu ser eleito como um dos 22 membros do conselho do município de Iruma, província de Osaka. Formado em medicina pela Universidade Teikyo, ele saiu do armário quando ainda era estudante e logo iniciou a sua transição. No ano de 2015 ele conseguiu ter o seu nome e gênero oficialmente alterados.

“Até recentemente, as pessoas tem ignorado a existência de pessoas LGBT” afirma Tomoya “Nós temos muitos obstáculos a serem superados, mas eu espero conseguir estar à altura das expectativas”

Continuar lendo

O caminho que Taiwan tomou para a Igualdade Matrimonial

pride6

Parada do Orgulho realizada em Taipei, foto de William Yang

Tradução do artigo Taiwan’s Path To Marriage Equality, escrito por Sebra Yen para o site Ketalagan Media.

_______________________________

No dia 24 de Outubro de 2016, dez legisladores do Partido Progressista Democrático (DPP) anunciaram que iriam propor emendas para o Código Civil para legalizar o casamento de duas pessoas do mesmo sexo em Taiwan. Especificamente, isso alteraria o artigo 972 do Código Civil, trocando o texto que coloca casamento como “entre um homem e uma mulher” para “duas partes”. A emenda também permitiria direitos parentais, como adoção.

Continuar lendo

Feminismo Asiático: Identidade, Raça e Gênero

Pela vocalização e empoderamento de mulheres com ascendência asiática no movimento feminista contemporâneo.

1-206Tc4wrBvL5isCURTlfEQ

Atenção: No texto há imagens e relatos de violência contra mulheres asiáticas no curso da História, especificamente em períodos de guerra, sendo a exposição de tais fatos e fotos necessárias no objetivo de não mais perpetuar, ou ser conivente, com o apagamento e silenciamento de mulheres asiáticas na História da Humanidade.

“Cultura”, é um substantivo que designa padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, e assim distinguem um grupo social.

Quando falamos sobre cultura do machismo, está intrínseco a compreensão no qual vivemos sob estruturas patriarcais; patriarcado este criado através de processos históricos simbióticos à hierarquias de poder. A hegemonia construída através do imperialismo colonialista trás consigo um privilégio ainda — infelizmente — duradouro, e que continua à dizer qual é o curso da História. Ou mesmo, quem consta na tão dita “História da Humanidade”.

Esta História contada para nós desde tão pequenos, seja escrita em livros do ensino fundamental, ou imageticamente construída em filmes, traz à superfície o factível e palpável apagamento da vivência de mulheres, e principalmente, indivíduos não-brancos. O que dirá então, de mulheres em recorte racial e suas vivências.

Porque esse prólogo? Porque entender as estruturas do poder é entender sobre dominação e violência de gênero. E principalmente, é entender a história do feminino asiático. Continuar lendo