“Nunca vi nada parecido com isto”: Sobre as repressões aos LGBT+ da Indonésia

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Marcha realizada por militantes LGBT+ no Dia Internacional contra a Homofobia em Jakarta no ano de 2013

Matéria de Ben Westcott originalmente postada no site da CNN.

Tradução de Luana Duyen Nguyen.

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Em menos de 18 meses, ser gay na Indonésia, algo amplamente tolerado, passou a ser claramente perigoso.

Uma onda de batidas policiais, ataques de vigilantes e o chamado para a criminalização de sexo homossexual sem precedentes tem deixado muitos da comunidade LGBT do país preocupados com sua própria segurança. “(Gays indonésios) estão exaustos e horrorizados,” Kyle Knight, um pesquisador da Human Rights Watch no programa de direitos LGBT, disse à CNN.
“Mesmo os ativistas que conheço que começaram suas primeiras organizações nos anos 80 dizem que nunca viram nada parecido com isto.”
É uma reviravolta negra para um país que PR décadas s orgulhava pela sua diversidade e sociedade heterogênea.
A maior democracia muçulmana do mundo, a Indonésia é frequentemente considerada como o refúgio da tolerância em meio a ascensão do conservadorismo em outros lugares do mundo islâmico.
Porém essa percepção está mudando dentre o aumento de ataques verbais em grupos minoritários e o crescimento da implementação de leis islâmicas por governos regionais.
Em menos de duas semanas, dois jovens foram capturados por vigilantes que invadiram sua casa na província de Aceh. Jakarta não faz parte de nenhuma província: ela é controlada pelo governo central.
Uma semana atrás, O Chefe de Polícia do Oeste de Java, Anton Charliyan, anunciou que ele criaria uma força tarefa especial no combate de pessoas LGBT.
“Eles enfrentarão a lei e pesadas sanções sociais. Eles não serão aceitados pela sociedade,” disse ele.

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Pessoas LGBT+ vítimas de abuso ainda sofrem em silêncio

Tradução da matéria de Chie Matsumoto para o Japan Times.

Aviso de gatilho: Apesar de não ter nenhuma imagem gráfica, a matéria traz a descrição em texto de diversos tipos de violências infringidas dentro de relacionamentos abusivos.

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Itens de divulgação decoram o Centro de Recursos para Mulheres e Pessoas Queer na cidade de Osaka

A risada aguda de Ray Tanaka é contagiosa. Mas, essa pessoa de 51 anos carrega sinais visíveis de um tempo não tão feliz. Cicatrizes através do seu cabelo curto são evidências dos constantes espancamentos que sofria nas mãos do parceiro que havia transicionado para homem.

Enquanto o cavanhaque esfarrapado de Tanaka é um símbolo de sua masculinidade, aquela risada é claramente feminina. Tanaka se identifica como genderqueer, ou seja, uma pessoa que define o seu gênero como não sendo nem masculino nem feminino.

Os espancamentos que Tanaka sofria eram desencadeados pelos motivos mais triviais possíveis. A primeira vez que o abusador o socou, ele afirmou que Tanaka havia agitado a mesa durante um jantar com amigos. Com meros 1,60 de altura, Tanaka teve dificuldades para se defender.

O parceiro de Tanaka podia chutar portas e quebrar vidros, e fazer um escândalo caso encontrasse livros sobre violência doméstica dentro da casa. Tanaka se lembra de ouvir o parceiro afirmar que “ver você (Tanaka) lendo livros como esses me deixa louco”.

“Qualquer dia eu poderia acabar morto” era o que Tanaka lembra ter pensado nesses momentos. Tanaka manteve-se passiva por um ano e meio, tentando não arranjar problemas. Parte do problema, diz Tanaka, é que esse tipo de abuso ainda não é levado a sério como os infringidos às mulheres por seus maridos.

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Sapporo reconhece a união civil de casais do mesmo sexo.

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Participantes da 15ª Parada do Orgulho de Sapporo, realizada em Setembro de 2011

No dia 1 de Junho, Sapporo tornou-se a primeira Cidade Designada* a oferecer reconhecimento a casais do mesmo sexo.

Diferentemente das outras cinco municipalidades japonesas que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo, Sapporo também reconhece a união de casais héteros trans.

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