Asadoya Yunta: da resistência ao amor pelo colonizador

Capa: ilustrações da zine “KANPU” de Tamy Gushiken: Tumblr/Instagram

(O texto original foi submetido como trabalho final do curso de Antropologia Cultural da Unesp-Araraquara.)

Introdução

Músicas folclóricas comumente expressam sentimentos generalizados entre aqueles que as criam e interpretam: ora transmitem o espírito de celebrações e rituais, ora articulam sofrimento e resistência política.

Asadoya Yunta, das ilhas Yaeyama (Okinawa), é um exemplo de insatisfação popular para com as empreitadas colonizadoras[1] conduzidas pelo Japão, particularmente no século XIX; mas, quando é traduzida para o japonês, a temática anticolonialista desaparece, dando lugar a uma canção de amor, inofensiva em seu conteúdo.

Este trabalho procura demonstrar, através do estudo de caso de Asadoya Yunta, como a retirada de elementos contextuais de textos criativos serve um propósito estratégico em relações de dominação, esvaziando o texto de sentido e despolitizando seu significado.

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