Sobre (sub)representatividade

Ano passado, aconteceu uma das coisas mais legais da minha vida nessa (infeliz) fase adulta: fui à Bolívia a trabalho. Mais precisamente, à Santa Cruz, uma cidade da qual não sei muito e não fiquei sabendo de muito mais porque só trabalhei, trabalhei e trabalhei quando estive lá. Uma coisa em especial sobre a experiência ficou muito bem alojada em algum lugar da minha memória, apesar de ser algo que poderia facilmente ter passado despercebido: uma grande peça publicitária no centro da cidade, na qual uma mulher resplandecentemente branca, loira e com aquele biótipo de modelo europeia-caucasiana ostentava suas roupas de marca em uma pose sensual. A moça era de uma brancura que destoava um monte do cinza do céu chuvoso de Santa Cruz, que parecia padecer de uma melancolia crônica; também destoava outro monte da cor da pele mestiça/indígena, do tipo físico mais comum entre bolivianos, andinos. Acho que não preciso dizer que essa brancura toda me incomodou. Muito. Continuar lendo

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