A importância da presença asiática no movimento LGBT+: Integra da fala de Alex Tso na Câmara Municipal de São Paulo

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“Isto é muito simbólico, o fato de eu, filho de imigrantes chineses, bissexual, estar onde estou, diz muito mais não do discurso mas da minha presença em si como um ato político.”

Em decorrência do Dia Internacional Contra a LGBTfobia (28/junho), nosso camarada Alex Tso foi convidado a fazer uma fala em uma Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo, na presença de representantes da sociedade civil, membros da Comissão de Direitos Humanos do Município, e vereadores como Eduardo Suplicy, Toninho Vespoli, Soninha e Sâmia Bomfim.

Em sua fala, nosso colega, cuja trajetória de luta no movimento LGBT é de longa data, abordou o tema da noite “Políticas LGBTs: Avanços e Retrocessos” com uma inquietação muito peculiar – “Como lidamos com a diversidade dentro da diversidade que tanto defendemos?” Falando em nome da Primavera Bissexual, Alex pontuou a necessidade de bissexuais se visibilizarem enquanto grupo e também reforçou a necessidade de uma articulação conjunta entre várias frentes para que a atuação política possa subverter suas próprias limitações e atingir um público maior.

Não obstante, como membro da Asiáticos pela Diversidade, grupo de militância LGBT asiático, indagou aonde estavam os asiáticos na luta, e como é preocupante ainda estarmos operando em uma “militância majoritariamente masculina, branca e cisnormativa”. Reiterou seu princípio de busca pela pluralidade e cobrou das autoridades e dos movimentos sociais que “é preciso falar sobre a população negra, é preciso falar sobre o recorte asiático, é preciso falar sobre transfobia, bifobia e tantos outros apagamentos.”

Em tempos de Kataguiri e tantos outros ‘representantes’ asiáticos na vida política que se associam largamente com bancadas retrógradas e pautas conservadoras, é um alento ver um de nossos poder representar a solidariedade que almejamos enquanto movimento político. Pela intersecção de pautas, pela sensibilidade para que se haja respeito, empatia, e principalmente construção coletiva entre demais movimentos, nosso sincero voto é de que mais e mais possamos ocupar estes espaços formais de política. Segue abaixo transcrição integral da fala do querido Alex Tso, na audiência pública em memória à todos que lutaram e lutam contra o fim da LGBTfobia.

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“Nunca vi nada parecido com isto”: Sobre as repressões aos LGBT+ da Indonésia

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Marcha realizada por militantes LGBT+ no Dia Internacional contra a Homofobia em Jakarta no ano de 2013

Matéria de Ben Westcott originalmente postada no site da CNN.

Tradução de Luana Duyen Nguyen.

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Em menos de 18 meses, ser gay na Indonésia, algo amplamente tolerado, passou a ser claramente perigoso.

Uma onda de batidas policiais, ataques de vigilantes e o chamado para a criminalização de sexo homossexual sem precedentes tem deixado muitos da comunidade LGBT do país preocupados com sua própria segurança. “(Gays indonésios) estão exaustos e horrorizados,” Kyle Knight, um pesquisador da Human Rights Watch no programa de direitos LGBT, disse à CNN.
“Mesmo os ativistas que conheço que começaram suas primeiras organizações nos anos 80 dizem que nunca viram nada parecido com isto.”
É uma reviravolta negra para um país que PR décadas s orgulhava pela sua diversidade e sociedade heterogênea.
A maior democracia muçulmana do mundo, a Indonésia é frequentemente considerada como o refúgio da tolerância em meio a ascensão do conservadorismo em outros lugares do mundo islâmico.
Porém essa percepção está mudando dentre o aumento de ataques verbais em grupos minoritários e o crescimento da implementação de leis islâmicas por governos regionais.
Em menos de duas semanas, dois jovens foram capturados por vigilantes que invadiram sua casa na província de Aceh. Jakarta não faz parte de nenhuma província: ela é controlada pelo governo central.
Uma semana atrás, O Chefe de Polícia do Oeste de Java, Anton Charliyan, anunciou que ele criaria uma força tarefa especial no combate de pessoas LGBT.
“Eles enfrentarão a lei e pesadas sanções sociais. Eles não serão aceitados pela sociedade,” disse ele.

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Pessoas LGBT+ vítimas de abuso ainda sofrem em silêncio

Tradução da matéria de Chie Matsumoto para o Japan Times.

Aviso de gatilho: Apesar de não ter nenhuma imagem gráfica, a matéria traz a descrição em texto de diversos tipos de violências infringidas dentro de relacionamentos abusivos.

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Itens de divulgação decoram o Centro de Recursos para Mulheres e Pessoas Queer na cidade de Osaka

A risada aguda de Ray Tanaka é contagiosa. Mas, essa pessoa de 51 anos carrega sinais visíveis de um tempo não tão feliz. Cicatrizes através do seu cabelo curto são evidências dos constantes espancamentos que sofria nas mãos do parceiro que havia transicionado para homem.

Enquanto o cavanhaque esfarrapado de Tanaka é um símbolo de sua masculinidade, aquela risada é claramente feminina. Tanaka se identifica como genderqueer, ou seja, uma pessoa que define o seu gênero como não sendo nem masculino nem feminino.

Os espancamentos que Tanaka sofria eram desencadeados pelos motivos mais triviais possíveis. A primeira vez que o abusador o socou, ele afirmou que Tanaka havia agitado a mesa durante um jantar com amigos. Com meros 1,60 de altura, Tanaka teve dificuldades para se defender.

O parceiro de Tanaka podia chutar portas e quebrar vidros, e fazer um escândalo caso encontrasse livros sobre violência doméstica dentro da casa. Tanaka se lembra de ouvir o parceiro afirmar que “ver você (Tanaka) lendo livros como esses me deixa louco”.

“Qualquer dia eu poderia acabar morto” era o que Tanaka lembra ter pensado nesses momentos. Tanaka manteve-se passiva por um ano e meio, tentando não arranjar problemas. Parte do problema, diz Tanaka, é que esse tipo de abuso ainda não é levado a sério como os infringidos às mulheres por seus maridos.

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Sapporo reconhece a união civil de casais do mesmo sexo.

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Participantes da 15ª Parada do Orgulho de Sapporo, realizada em Setembro de 2011

No dia 1 de Junho, Sapporo tornou-se a primeira Cidade Designada* a oferecer reconhecimento a casais do mesmo sexo.

Diferentemente das outras cinco municipalidades japonesas que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo, Sapporo também reconhece a união de casais héteros trans.

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Corte constitucional de Taiwan decide em favor do casamento igualitário

A Corte Constitucional decidiu que as leis atuais, impedindo que pessoas do mesmo sexo se casem, violam o direito à igualdade e são inconstitucionais.

Foi dado ao parlamento o prazo de dois anos para criar emendas para as leis atuais ou aprovar novas leis sobre o assunto.

A decisão histórica de quarta-feira chega num momento em que a comunidade LGBT+ enfrenta um aumento da perseguição na região.

Em um comunicado à imprensa após a decisão, a corte disse que “proibir duas pessoas do mesmo sexo de se casarem, com o intuito de proteger ordens ética básicas” constitui um “tratamento diferente” “sem embasamento racional”.

A corte concluiu que “tal tratamento diferenciado é incompatível com o espírito e significado do direito à igualdade” como protegido pela constituição de Taiwan.

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Tomoya Hosoda tornou-se o primeiro homem trans a se tornar titular de um mandato em cargo político

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Pela primeira vez na história um homem trans foi eleito a um cargo político.

No dia 17 de Março de 2017, Tomoya Hosoda (細田 智也) conseguiu ser eleito como um dos 22 membros do conselho do município de Iruma, província de Osaka. Formado em medicina pela Universidade Teikyo, ele saiu do armário quando ainda era estudante e logo iniciou a sua transição. No ano de 2015 ele conseguiu ter o seu nome e gênero oficialmente alterados.

“Até recentemente, as pessoas tem ignorado a existência de pessoas LGBT” afirma Tomoya “Nós temos muitos obstáculos a serem superados, mas eu espero conseguir estar à altura das expectativas”

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O caminho que Taiwan tomou para a Igualdade Matrimonial

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Parada do Orgulho realizada em Taipei, foto de William Yang

Tradução do artigo Taiwan’s Path To Marriage Equality, escrito por Sebra Yen para o site Ketalagan Media.

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No dia 24 de Outubro de 2016, dez legisladores do Partido Progressista Democrático (DPP) anunciaram que iriam propor emendas para o Código Civil para legalizar o casamento de duas pessoas do mesmo sexo em Taiwan. Especificamente, isso alteraria o artigo 972 do Código Civil, trocando o texto que coloca casamento como “entre um homem e uma mulher” para “duas partes”. A emenda também permitiria direitos parentais, como adoção.

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Representação trans e a grande estréia de Ian Alexander em OA

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Tradução do texto de John Walker para o site Vulture. Para a postagem original clique aqui.


Ian Alexander teve a semana que muitos aspirantes a atores somente sonham. Na última sexta-feira (16/12/2016), esse jovem de 15 anos teve a sua estréia profissional na série de ficção científica da Netflix: The OA. Ele interpreta Buck Vu, um estudante dos subúrbios que se torna amigo de um anjo interdimensinal (ou, pelo menos, com uma mulher que diz ser um anjo interdimensional). E ele também é um homem asiático trans – um tipo de personagem que raramente, ou nunca, foi apresentado na televisão.

De acordo com a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra a Difamação), somente 16 personagens fixos e recorrentes foram encontrados em roteiros de televisão nessa temporada. Somente quatro desses 6 eram homens, e somente um era asiático. Levando em consideração o mau tratamento de Hollywood com atores trans e asiáticos, não é de se admirar que as pessoas de diferentes nichos da internet tenham gravitado sobre a performance sensível e acalentadora de Alexander. Nessa quarta-feira (21/12/2016), no meio das férias de inverno, a Vulture conversou com Alexander sobre The OA, sua atuação e o que Buck significou para ele.

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Que minha pequena voz alcance a sociedade: Uma mensagem de Aya Kamikawa

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No dia 29 de Fevereiro comemora-se o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais. Esse dia foi criado em 2004, quando o Ministério da Saúde e entidades da sociedade civil lançaram a campanha “Travesti e Respeito”, em reconhecimento à dignidade dessa população.

Segundo o Relatório de Violência Homofóbica publicado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, travestis e pessoas trans são as mais suscetíveis à violência, manifestada na forma de injúrias, agressões físicas e psicológicas, tratamento abusivo e assassinatos. E segundo o Projeto de Monitoramento de Assassinatos de pessoas Trans da Europa (TMM), o Brasil é o país que mais matas travestis e pessoas trans do mundo. E por causa da transfobia e rejeição, pessoas trans são nove vezes mais propensas a cometer suicídio.

Apesar de tanto sofrimento, pessoas trans no Brasil e ao redor do mundo tem lutado para melhorar a condição de vida e alcançar o direito de viver plenamente a sua identidade de gênero. Uma dessas pessoas é a militante, autora e a primeira pessoa abertamente trans a conseguir ser eleita no Japão: Aya Kamikawa.

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Enquete revela como pais japoneses encaram questões LGBT+

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Parada do Orgulho realizada em Tóquio no ano de 2016

Administrada pelo grupo Letibee, o LGBT Marketing Lab foi criado com o objetivo de apresentar medidas afirmativas de marketing para empresas baseado em enquetes, pesquisas e compartilhamento de informações.  No dia 18 de Agosto de 2016 eles divulgaram uma pesquisa intitulada “Pergunte aos pais: E se seu filho saísse do armário?”.

Essa enquete foi realizada on-line e colheu os dados de 566 participantes (258 homens e 281 mulheres entre 30 e 59 anos) entre os dias 8 e 11 de Agosto. Com exceção da província de Yamanashi, foram coletadas as respostas de pelo menos um residente de cada província japonesa. Abaixo deixamos o relatório completo da pesquisa:

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