Solidariedade indígena: Ryukyu, Ainu e Standing Rock

No dia 19 de março, o casal Kamiyui publicou um vídeo declarando o apoio de Okinawa à resistência em Standing Rock contra o oleoduto na Dakota do Norte, que passa pelo território indígena da tribo Sioux.

Mais do que apenas uma demonstração em prol de direitos humanos, a solidariedade de Okinawa é uma expressão do movimento de descolonização; diante da ameaça da construção de mais uma base militar estadunidense em Henoko, local que carrega em si a ancestralidade okinawana, os povos de Ryukyu se identificam com a dor dos Protetores da Água em Standing Rock. É o reconhecimento da dor que todos os povos indígenas ao redor do mundo enfrentam, lutando pela preservação de suas identidades e de suas terras, não como propriedade, mas como um legado de seus antepassados e campo de sua cultura.

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A origem do Perigo Amarelo: Orientalismo, colonialismo e a hegemonia euro-americana

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(O texto original foi submetido como trabalho final do curso semestral de História da Unesp-Araraquara.)

Introdução

Este trabalho procura explorar a origem do mito do Perigo Amarelo e suas funções no imaginário ocidental durante os séculos XIX e XX, traçando um panorama geral de acontecimentos que levaram à criação de paranoia que culminou em políticas deliberadamente excludentes e, em algumas ocasiões, numa forma de racismo letal. Desde a suposta origem do termo até o final do século XX, aqui estão expostos alguns exemplos de violência, tanto popular quanto institucionalizada, causados pela lógica do inimigo comum.

O tema abordado, aliado ao conceito de Orientalismo desenvolvido por Edward Said, ainda é lamentavelmente atual, dado o contexto contemporâneo da Guerra ao Terror, somado à islamofobia e à xenofobia explicitamente presentes nos debates sobre o acolhimento de refugiados, questões de imigração e direitos humanos no Ocidente.

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Feminismo Asiático: Identidade, Raça e Gênero

Pela vocalização e empoderamento de mulheres com ascendência asiática no movimento feminista contemporâneo.

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Atenção: No texto há imagens e relatos de violência contra mulheres asiáticas no curso da História, especificamente em períodos de guerra, sendo a exposição de tais fatos e fotos necessárias no objetivo de não mais perpetuar, ou ser conivente, com o apagamento e silenciamento de mulheres asiáticas na História da Humanidade.

“Cultura”, é um substantivo que designa padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, e assim distinguem um grupo social.

Quando falamos sobre cultura do machismo, está intrínseco a compreensão no qual vivemos sob estruturas patriarcais; patriarcado este criado através de processos históricos simbióticos à hierarquias de poder. A hegemonia construída através do imperialismo colonialista trás consigo um privilégio ainda — infelizmente — duradouro, e que continua à dizer qual é o curso da História. Ou mesmo, quem consta na tão dita “História da Humanidade”.

Esta História contada para nós desde tão pequenos, seja escrita em livros do ensino fundamental, ou imageticamente construída em filmes, traz à superfície o factível e palpável apagamento da vivência de mulheres, e principalmente, indivíduos não-brancos. O que dirá então, de mulheres em recorte racial e suas vivências.

Porque esse prólogo? Porque entender as estruturas do poder é entender sobre dominação e violência de gênero. E principalmente, é entender a história do feminino asiático. Continuar lendo

PEQUENO MANUAL EM 15 DICAS DE COMO NÃO OFENDER SEU AMIGO DESCENDENTE DE JAPONESES

Depois de reclamar do apelido de japa, ver que muites amigues se sentiram contemplades pela crítica e perceber que os não-nipônicos não nos apelidam por maldade, aqui vão algumas dicas bem DIDÁTICAS baseadas em dados históricos e no famoso bom-senso de como não dar esse e outros closes errados conosco:
1. Não apelide um oriental de “japa” sem ter qualquer consentimento dele acerca disso. Nossa identidade (aliás, a de ninguém) não deve ser resumida somente a ascendência étnico-racial – a pessoa a quem você se refere pode ter ascendência chinesa, coreana, etc. O contrário também vale: não apelide um descendente que não tenha os traços típicos ou que tenha nome brasileiro com um nome asiático qualquer (por exemplo: se o rapaz se chama Felipe, você pode usar o próprio nome dele ao invés de chamá-lo de Toshiro para estereotipá-lo).
2. Orientais NÃO SÃO TODOS IGUAIS. Continuar lendo

3° ato: Somos asiáticas/os e resistiremos contra o golpe! Memória, verdade e política.

A identidade da diáspora asiática não é um fim em si mesmo: direito à memória e à verdade, solidariedade nas lutas populares e resistência contra o golpe.

No último sábado (27), jovens asiáticas/os se reuniram para discutir o direito à memória e à verdade no Brasil e a formação da identidade racial amarela e seus reflexos nas lutas contemporâneas. No evento “Asiáticas/os no Brasil: identidade, memória e resistência”, conversamos sobre as relações entre a violência de Estado contra imigrantes asiáticas/os, principalmente durante a Era Vargas, e a consolidação da modernização racista brasileira. A violência racial no Brasil, contra negras/os e indígenas, data do período da colonização e, durante a consolidação de seu capitalismo tardio, no século XX, incrementou-se também com a exploração xenofóbica e racista da raça amarela. Continuar lendo

1° Ato – “O japonês é como o enxofre… insolúvel”: identidade nacional, raça e violência de estado.

Observação: Este texto faz parte de uma coletânea de artigos em três atos, acompanhe aqui.

Em dezembro de 2015, o ativista Mario Jun Okuhara, autor do documentário “Yami no Ichinichi – O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil” (2012) e idealizador do Projeto Abrangências protocolou uma solicitação ao Ministério da Justiça “para que o Estado brasileiro, formalmente, reconheça a perseguição política que seus agentes realizaram contra a coletividade de imigrantes japoneses e seus descendentes, por conta de abusos autoritários do Estado de Exceção do governo do presidente Getúlio Dornelles Vargas (1937 – 1945) e do período constitucional do presidente Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1951), por meio de um pedido oficial de desculpas.”

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Memórias da resistência asiática na ditadura civil-militar

História e Memória são campos de batalha. Os verbos que acompanham esses nomes sempre provocam tensionamento: narrar ou contar uma história, explicar ou revisar uma memória. Falar do tempo implica uma geografia historicamente situada, uma forma de ser, uma visão cosmológica, uma vontade direcionada. História e memória são falas políticas, ou políticas de fala. O fascismo apagou línguas para que não falassem mais pelas suas próprias palavras. O colonialismo impôs suas línguas para que só se falasse através das verdades estabelecidas e apresentadas. O sonho do liberalismo é que a história fique restrita ao passado e que a memória não seja mais do que capacidade de processamento das transações do aqui e agora. O dominador moderno apaga as possibilidades do sujeito, transforma tudo em objeto e cria representações que melhor convêm às suas próprias vaidades.

Aprendemos a questionar a história oficial e a bater de frente com a memória do vencedor, e já o fizemos mais de mil vezes. Entretanto, às vezes não nos damos conta de que até a história da resistência configura moldes hegemônicos e trajetórias normativas. A história marginal também é contada por homens brancos e, enquanto isso, os rastros de nossa existência são meros espectros residuais em uma realidade ilusória e fetichizada.

Hoje, em meio à crise da democracia liberal e da liberdade que os oprimidos de sempre nunca viveram, recobramos nossas memórias para por em curso a história pela qual lutamos. Antagonizamos aqueles que prestam homenagens a torturadores da ditadura e combateremos até o fim o avanço conservador e autoritário do republicanismo colonial, racista e golpista. Hoje, contamos a história de pessoas asiáticas que morreram, desapareceram e/ou foram torturadas na ditadura civil-militar. Revolucionários, radicais, militantes que dedicaram suas vidas à luta contra o fascismo. É também pela memória dessas pessoas que seguimos em luta pela libertação de todos os povos, pela autonomia popular e pela emancipação da classe trabalhadora. E reivindicamos: existe uma história que ainda é marginal, porque ela é radical, porque ela não foi embranquecida, e nós nos juntamos a ela! Continuar lendo

Por que Outra Coluna?

Durante a Guerra Civil Espanhola, enquanto quatro colunas das tropas fascistas tentavam invadir Madri, um general franquista teria declarado na rádio que uma quinta coluna estaria agindo clandestinamente para implodir o regime republicano de dentro da capital. Como forma de retaliação, o governo republicano promoveu uma série de massacres, a fim de eliminar a “quinta coluna”.

“Quinta coluna” passou a ser um termo utilizado para atacar descendentes ou imigrantes de origem de algum dos países do Eixo. Pressupondo traição e conspiração, o racismo e uma série de graves violações de direitos foram acobertadas pela narrativa inglória da paranóia securitista.

Nos Estados Unidos, a ladainha sobre a “quinta coluna” justificou a criação de campos de concentração para japoneses e descendentes de japoneses. Mais de 100 mil foram removidos de suas casas e encarcerados em regime de exceção. Continuar lendo