Desejo, estereótipos e fetiche racial

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Para começarmos a pensar e aprofundar um debate em torno do fetiche racial, é-nos necessário entender, primeiramente, como os desejos da branquitude se articulam na pós-modernidade a partir da sua crise identitária que levou pessoas brancas a olhar para o Outro de uma maneira diferente da de seus ancestrais. Será preciso também recuperarmos um debate sobre as práticas representacionais de estereotipagem, que criam um imaginário sobre a pessoa racializada, reduzindo-a, consequentemente, à sua raça. E, por fim, adentrar, de fato, nas dinâmicas de fetiche racial. Continuar lendo

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Para além da fábula das três raças: uma introdução à percepção racial do amarelo e do japonês no Brasil

(O texto original foi submetido como trabalho final da disciplina de Formação e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira da Unesp-Araraquara. Está disponível em PDF para download e citação neste link.)

  1. Introdução

Este trabalho pretende ser uma introdução às nuances do papel atribuído e desempenhado pelo imigrante japonês e seus descendentes nas relações raciais brasileiras. A fim de compreender como se configura a discriminação ambivalente para com o fenótipo amarelo, o texto percorre brevemente alguns momentos históricos para questionar a ideia de brasilidade e de pertencimento, e a instrumentalização do mito da minoria modelo enquanto ferramenta racista contra as populações negra e indígenas.

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Entrevista com Rosa Miranda: a primeira mulher negra, no Brasil, a se formar em licenciatura no curso Cinema & Audiovisual.

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Rosa Miranda

Rosa Miranda formou-se em licenciatura em Cinema & Audiovisual pela UFF, sendo a primeira mulher negra no Brasil a conquistar este feito. Cineasta, arte-educadora e ativista, idealizou e fundou o Coletivo Kbça D’ Nêga, que produz audiovisual racializado interseccional e militante de forma independente. Entre os filmes produzidos pelo coletivo, há o mais recente curta-metragem documental, intitulado Privilégios (2018), descrito como “uma provocação sobre as desigualdades sociais mantidas por um seleto grupo social”, que estará disponível para exibição a partir de agosto deste ano.
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Gaijin – Caminhos da Liberdade: o cinema nipo-brasileiro e a preservação da memória.

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(Trabalho de Hugo Katsuo, escrito para a disciplina de História do Cinema Brasileiro, ministrada pelo professor Rafael de Luna, e apresentado oralmente na 5ª Semana de História da UFF)

O cinema brasileiro, a partir dos anos 80, passou a ter como tema recorrente uma
nova ideia: a de que nós, brasileiros, nos sentíamos estrangeiros no nosso próprio país (HEFFNER, 1995). Era indispensável que, para tratar desta temática, os cineastas Continuar lendo

“Nunca vi nada parecido com isto”: Sobre as repressões aos LGBT+ da Indonésia

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Marcha realizada por militantes LGBT+ no Dia Internacional contra a Homofobia em Jakarta no ano de 2013

Matéria de Ben Westcott originalmente postada no site da CNN.

Tradução de Luana Duyen Nguyen.

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Em menos de 18 meses, ser gay na Indonésia, algo amplamente tolerado, passou a ser claramente perigoso.

Uma onda de batidas policiais, ataques de vigilantes e o chamado para a criminalização de sexo homossexual sem precedentes tem deixado muitos da comunidade LGBT do país preocupados com sua própria segurança. “(Gays indonésios) estão exaustos e horrorizados,” Kyle Knight, um pesquisador da Human Rights Watch no programa de direitos LGBT, disse à CNN.
“Mesmo os ativistas que conheço que começaram suas primeiras organizações nos anos 80 dizem que nunca viram nada parecido com isto.”
É uma reviravolta negra para um país que PR décadas s orgulhava pela sua diversidade e sociedade heterogênea.
A maior democracia muçulmana do mundo, a Indonésia é frequentemente considerada como o refúgio da tolerância em meio a ascensão do conservadorismo em outros lugares do mundo islâmico.
Porém essa percepção está mudando dentre o aumento de ataques verbais em grupos minoritários e o crescimento da implementação de leis islâmicas por governos regionais.
Em menos de duas semanas, dois jovens foram capturados por vigilantes que invadiram sua casa na província de Aceh. Jakarta não faz parte de nenhuma província: ela é controlada pelo governo central.
Uma semana atrás, O Chefe de Polícia do Oeste de Java, Anton Charliyan, anunciou que ele criaria uma força tarefa especial no combate de pessoas LGBT.
“Eles enfrentarão a lei e pesadas sanções sociais. Eles não serão aceitados pela sociedade,” disse ele.

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“Existe toda uma história que constrói meu corpo e ele é percebido por estereótipos” – entrevista com Ana Tomimori

A exposição Pós-poéticas, em cartaz desde o dia 18 de novembro, inaugura o Espaço das Artes, antigo Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo. A mostra traz obras dos artistas Ana Tomimori, Andréa Tavares, Cassia Aranha, Filipe Barrocas, Inês Bonduki, Julia Mota, Juliano Gouveia dos Santos, Pedro Hamaya e Renato Pera, relacionadas às pesquisas de pós-graduação de cada um deles ao longo dos últimos 2 anos.

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Registros da intervenção urbana “Bandeira”

Ana Tomimori, artista visual integrante da exposição, tem nacionalidade brasileira e ascendência japonesa. Seu trabalho apresentado na Pós-poéticas investiga como o discurso hegemônico e colonialista europeu acaba deixando seus rastros de exclusão. Sob o olhar de mulher não-branca, suas obras trazem marcas dessa vivência e da história que ela carrega  reinterpretadas pela própria artista. Ana, com a não-neutralidade que o corpo asiático carrega, apresenta desde bordados até intervenções urbanas, que exploram os estereótipos que automaticamente são associados  a etnias não-brancas.

A entrevista na íntegra, a segunda da seção de Entrevistas Populares, você confere a seguir!

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Como falar de saúde mental entre pessoas asiáticas? #setembroamarelo

Antes de começar o texto, disponibilizamos alguns recursos de prevenção ao suicídio:

O CVV – Centro de Valorização da Vida tem voluntários que recebem treinamento para oferecer apoio emocional e prevenção ao suicídio a quem precisar. O serviço é sigiloso e gratuito por telefone, e-mail, chat e Skype, disponível 24 horas todos os dias.

A Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA) oferece atendimento por telefone, palestras, grupos de integração, de apoio mútuo e para adolescentes. Confira a agenda mensal da ABRATA aqui: http://www.abrata.org.br/new/agenda.aspx

Lista de atendimento psicológico ou psiquiátrico gratuito ou com preço simbólico: https://goo.gl/Nif7WG


Texto por Laura Ueno

O mês de setembro foi dedicado à prevenção do suicídio, tema motivado pelas estatísticas alarmantes e pelo silêncio que paira em torno desse fenômeno. Existem várias condições situacionais, subjetivas e sociais que determinam uma falta de horizontes de existência na vida de uma pessoa. Entre os grupos vulneráveis, estão os grupos minorizados: velhos, crianças, desempregados, pobres, vítimas de desenraizamento cultural forçado (povos nativos no Brasil, expulsos de sua própria terra, são um exemplo lamentavelmente), violências de gênero e raciais. Continuar lendo

Perigo Amarelo com Negro Belchior para vereador (SP): Representatividade importa, mas solidariedade ainda mais. #50075

 

“Pelo menos esse candidato é japonês, né?”. Muitos de nós crescemos ouvindo nossos familiares dizendo que escolhem seus representantes políticos porque compartilham origens asiáticas. “Eu voto nesse porque é japonês” é a fala de quem não entende as sérias consequências da política, quando não levada com responsabilidade como um campo de disputa de interesses de classe.

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Anti-negritude é global: a participação asiática no racismo anti-negro

Quando falamos de racismo, estamos falando de relações de poder baseados em raça. Essas relações dependem de contexto, o que as torna relativas, assim como seus componentes. Por exemplo, dentro da própria branquitude existe uma hierarquia: um português é branco no Brasil, mas menos branco na Europa ocidental, especialmente quando comparado a um sueco.

Porém, a anti-negritude é a constante global; é o que unifica e sustenta a supremacia branca ao redor do mundo, mesmo que a branquitude não seja a norma, como acontece na Ásia.

Colorismo como facilitador da anti-negritude

Apesar do comercial chinês do detergente Qiaobi ser uma paródia de outro comercial italiano, ele ilustra bem como a pele escura é vista: um problema que, às vezes, pode ser consertado. Com o produto certo, obviamente.

Isso não acontece apenas por conta do colonialismo europeu em partes do continente. Desde antes de influências europeias significativas, o tom de pele sempre foi um fator de classe na Ásia; a pele clara era prova do status da nobreza que não precisava trabalhar exposta ao sol.

Além dos diversos reflexos em cada sociedade – como a indústria de clareamento de pele da Índia –, o colorismo na Ásia facilita a importação da anti-negritude através da mídia ocidental e o culto à pele clara naturaliza a superioridade branca. As constantes representações da pessoa negra como inerentemente violenta ou hipersexual permeiam a percepção asiática e contribuem com a disseminação do racismo anti-negro.

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