Da flor que (não) se cheire: Reflexões sobre ser amarela

Texto por Nassim Golshan

Sobre a autora: Brasileira, com pai iraniano e mãe brasileira nissei. Psicóloga, ama trocar ideias, organizar no papel pensamentos – seja em forma de poesia, textão ou até origami e buscar o lado da história que não contam.

Da flor que (não) se cheire

Reflexões sobre ser amarela 

Não tão discutida em diversos círculos, a resistência asiática se faz necessária ao se pensar em uma sociedade inclusiva. Este texto se propõe a pincelar a intersecção¹ da resistência mencionada com outras lutas de minorias. Corpos, culturas e histórias antagonizam tensões de uma sociedade estruturada em opressões das mais diversas. Compreender a raiz singular mas de lugar também minoritário de outras lutas pode ser meio de fortalecimento coletivo e tomada de consciência sobre determinantes históricos que recaem em relações cotidianas. Não temos pretensão de discorrer longamente sobre certos conceitos, mas tomá-los como ponto de partida para encadeamento das reflexões. Continuar lendo

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Solidariedade indígena: Ryukyu, Ainu e Standing Rock

No dia 19 de março, o casal Kamiyui publicou um vídeo declarando o apoio de Okinawa à resistência em Standing Rock contra o oleoduto na Dakota do Norte, que passa pelo território indígena da tribo Sioux.

Mais do que apenas uma demonstração em prol de direitos humanos, a solidariedade de Okinawa é uma expressão do movimento de descolonização; diante da ameaça da construção de mais uma base militar estadunidense em Henoko, local que carrega em si a ancestralidade okinawana, os povos de Ryukyu se identificam com a dor dos Protetores da Água em Standing Rock. É o reconhecimento da dor que todos os povos indígenas ao redor do mundo enfrentam, lutando pela preservação de suas identidades e de suas terras, não como propriedade, mas como um legado de seus antepassados e campo de sua cultura.

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A origem do Perigo Amarelo: Orientalismo, colonialismo e a hegemonia euro-americana

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(O texto original foi submetido como trabalho final do curso semestral de História da Unesp-Araraquara.)

Introdução

Este trabalho procura explorar a origem do mito do Perigo Amarelo e suas funções no imaginário ocidental durante os séculos XIX e XX, traçando um panorama geral de acontecimentos que levaram à criação de paranoia que culminou em políticas deliberadamente excludentes e, em algumas ocasiões, numa forma de racismo letal. Desde a suposta origem do termo até o final do século XX, aqui estão expostos alguns exemplos de violência, tanto popular quanto institucionalizada, causados pela lógica do inimigo comum.

O tema abordado, aliado ao conceito de Orientalismo desenvolvido por Edward Said, ainda é lamentavelmente atual, dado o contexto contemporâneo da Guerra ao Terror, somado à islamofobia e à xenofobia explicitamente presentes nos debates sobre o acolhimento de refugiados, questões de imigração e direitos humanos no Ocidente.

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Tomoya Hosoda tornou-se o primeiro homem trans a se tornar titular de um mandato em cargo político

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Pela primeira vez na história um homem trans foi eleito a um cargo político.

No dia 17 de Março de 2017, Tomoya Hosoda (細田 智也) conseguiu ser eleito como um dos 22 membros do conselho do município de Iruma, província de Osaka. Formado em medicina pela Universidade Teikyo, ele saiu do armário quando ainda era estudante e logo iniciou a sua transição. No ano de 2015 ele conseguiu ter o seu nome e gênero oficialmente alterados.

“Até recentemente, as pessoas tem ignorado a existência de pessoas LGBT” afirma Tomoya “Nós temos muitos obstáculos a serem superados, mas eu espero conseguir estar à altura das expectativas”

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O caminho que Taiwan tomou para a Igualdade Matrimonial

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Parada do Orgulho realizada em Taipei, foto de William Yang

Tradução do artigo Taiwan’s Path To Marriage Equality, escrito por Sebra Yen para o site Ketalagan Media.

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No dia 24 de Outubro de 2016, dez legisladores do Partido Progressista Democrático (DPP) anunciaram que iriam propor emendas para o Código Civil para legalizar o casamento de duas pessoas do mesmo sexo em Taiwan. Especificamente, isso alteraria o artigo 972 do Código Civil, trocando o texto que coloca casamento como “entre um homem e uma mulher” para “duas partes”. A emenda também permitiria direitos parentais, como adoção.

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Feminismo Asiático: Identidade, Raça e Gênero

Pela vocalização e empoderamento de mulheres com ascendência asiática no movimento feminista contemporâneo.

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Atenção: No texto há imagens e relatos de violência contra mulheres asiáticas no curso da História, especificamente em períodos de guerra, sendo a exposição de tais fatos e fotos necessárias no objetivo de não mais perpetuar, ou ser conivente, com o apagamento e silenciamento de mulheres asiáticas na História da Humanidade.

“Cultura”, é um substantivo que designa padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, e assim distinguem um grupo social.

Quando falamos sobre cultura do machismo, está intrínseco a compreensão no qual vivemos sob estruturas patriarcais; patriarcado este criado através de processos históricos simbióticos à hierarquias de poder. A hegemonia construída através do imperialismo colonialista trás consigo um privilégio ainda — infelizmente — duradouro, e que continua à dizer qual é o curso da História. Ou mesmo, quem consta na tão dita “História da Humanidade”.

Esta História contada para nós desde tão pequenos, seja escrita em livros do ensino fundamental, ou imageticamente construída em filmes, traz à superfície o factível e palpável apagamento da vivência de mulheres, e principalmente, indivíduos não-brancos. O que dirá então, de mulheres em recorte racial e suas vivências.

Porque esse prólogo? Porque entender as estruturas do poder é entender sobre dominação e violência de gênero. E principalmente, é entender a história do feminino asiático. Continuar lendo

Representação trans e a grande estréia de Ian Alexander em OA

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Tradução do texto de John Walker para o site Vulture. Para a postagem original clique aqui.


Ian Alexander teve a semana que muitos aspirantes a atores somente sonham. Na última sexta-feira (16/12/2016), esse jovem de 15 anos teve a sua estréia profissional na série de ficção científica da Netflix: The OA. Ele interpreta Buck Vu, um estudante dos subúrbios que se torna amigo de um anjo interdimensinal (ou, pelo menos, com uma mulher que diz ser um anjo interdimensional). E ele também é um homem asiático trans – um tipo de personagem que raramente, ou nunca, foi apresentado na televisão.

De acordo com a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra a Difamação), somente 16 personagens fixos e recorrentes foram encontrados em roteiros de televisão nessa temporada. Somente quatro desses 6 eram homens, e somente um era asiático. Levando em consideração o mau tratamento de Hollywood com atores trans e asiáticos, não é de se admirar que as pessoas de diferentes nichos da internet tenham gravitado sobre a performance sensível e acalentadora de Alexander. Nessa quarta-feira (21/12/2016), no meio das férias de inverno, a Vulture conversou com Alexander sobre The OA, sua atuação e o que Buck significou para ele.

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Que minha pequena voz alcance a sociedade: Uma mensagem de Aya Kamikawa

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No dia 29 de Fevereiro comemora-se o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais. Esse dia foi criado em 2004, quando o Ministério da Saúde e entidades da sociedade civil lançaram a campanha “Travesti e Respeito”, em reconhecimento à dignidade dessa população.

Segundo o Relatório de Violência Homofóbica publicado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, travestis e pessoas trans são as mais suscetíveis à violência, manifestada na forma de injúrias, agressões físicas e psicológicas, tratamento abusivo e assassinatos. E segundo o Projeto de Monitoramento de Assassinatos de pessoas Trans da Europa (TMM), o Brasil é o país que mais matas travestis e pessoas trans do mundo. E por causa da transfobia e rejeição, pessoas trans são nove vezes mais propensas a cometer suicídio.

Apesar de tanto sofrimento, pessoas trans no Brasil e ao redor do mundo tem lutado para melhorar a condição de vida e alcançar o direito de viver plenamente a sua identidade de gênero. Uma dessas pessoas é a militante, autora e a primeira pessoa abertamente trans a conseguir ser eleita no Japão: Aya Kamikawa.

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“Existe toda uma história que constrói meu corpo e ele é percebido por estereótipos” – entrevista com Ana Tomimori

A exposição Pós-poéticas, em cartaz desde o dia 18 de novembro, inaugura o Espaço das Artes, antigo Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo. A mostra traz obras dos artistas Ana Tomimori, Andréa Tavares, Cassia Aranha, Filipe Barrocas, Inês Bonduki, Julia Mota, Juliano Gouveia dos Santos, Pedro Hamaya e Renato Pera, relacionadas às pesquisas de pós-graduação de cada um deles ao longo dos últimos 2 anos.

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Registros da intervenção urbana “Bandeira”

Ana Tomimori, artista visual integrante da exposição, tem nacionalidade brasileira e ascendência japonesa. Seu trabalho apresentado na Pós-poéticas investiga como o discurso hegemônico e colonialista europeu acaba deixando seus rastros de exclusão. Sob o olhar de mulher não-branca, suas obras trazem marcas dessa vivência e da história que ela carrega  reinterpretadas pela própria artista. Ana, com a não-neutralidade que o corpo asiático carrega, apresenta desde bordados até intervenções urbanas, que exploram os estereótipos que automaticamente são associados  a etnias não-brancas.

A entrevista na íntegra, a segunda da seção de Entrevistas Populares, você confere a seguir!

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Enquete revela como pais japoneses encaram questões LGBT+

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Parada do Orgulho realizada em Tóquio no ano de 2016

Administrada pelo grupo Letibee, o LGBT Marketing Lab foi criado com o objetivo de apresentar medidas afirmativas de marketing para empresas baseado em enquetes, pesquisas e compartilhamento de informações.  No dia 18 de Agosto de 2016 eles divulgaram uma pesquisa intitulada “Pergunte aos pais: E se seu filho saísse do armário?”.

Essa enquete foi realizada on-line e colheu os dados de 566 participantes (258 homens e 281 mulheres entre 30 e 59 anos) entre os dias 8 e 11 de Agosto. Com exceção da província de Yamanashi, foram coletadas as respostas de pelo menos um residente de cada província japonesa. Abaixo deixamos o relatório completo da pesquisa:

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