Tomoya Hosoda tornou-se o primeiro homem trans a se tornar titular de um mandato em cargo político

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Pela primeira vez na história um homem trans foi eleito a um cargo político.

No dia 17 de Março de 2017, Tomoya Hosoda (細田 智也) conseguiu ser eleito como um dos 22 membros do conselho do município de Iruma, província de Osaka. Formado em medicina pela Universidade Teikyo, ele saiu do armário quando ainda era estudante e logo iniciou a sua transição. No ano de 2015 ele conseguiu ter o seu nome e gênero oficialmente alterados.

“Até recentemente, as pessoas tem ignorado a existência de pessoas LGBT” afirma Tomoya “Nós temos muitos obstáculos a serem superados, mas eu espero conseguir estar à altura das expectativas”

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O caminho que Taiwan tomou para a Igualdade Matrimonial

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Parada do Orgulho realizada em Taipei, foto de William Yang

Tradução do artigo Taiwan’s Path To Marriage Equality, escrito por Sebra Yen para o site Ketalagan Media.

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No dia 24 de Outubro de 2016, dez legisladores do Partido Progressista Democrático (DPP) anunciaram que iriam propor emendas para o Código Civil para legalizar o casamento de duas pessoas do mesmo sexo em Taiwan. Especificamente, isso alteraria o artigo 972 do Código Civil, trocando o texto que coloca casamento como “entre um homem e uma mulher” para “duas partes”. A emenda também permitiria direitos parentais, como adoção.

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Feminismo Asiático: Identidade, Raça e Gênero

Pela vocalização e empoderamento de mulheres com ascendência asiática no movimento feminista contemporâneo.

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Atenção: No texto há imagens e relatos de violência contra mulheres asiáticas no curso da História, especificamente em períodos de guerra, sendo a exposição de tais fatos e fotos necessárias no objetivo de não mais perpetuar, ou ser conivente, com o apagamento e silenciamento de mulheres asiáticas na História da Humanidade.

“Cultura”, é um substantivo que designa padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, e assim distinguem um grupo social.

Quando falamos sobre cultura do machismo, está intrínseco a compreensão no qual vivemos sob estruturas patriarcais; patriarcado este criado através de processos históricos simbióticos à hierarquias de poder. A hegemonia construída através do imperialismo colonialista trás consigo um privilégio ainda — infelizmente — duradouro, e que continua à dizer qual é o curso da História. Ou mesmo, quem consta na tão dita “História da Humanidade”.

Esta História contada para nós desde tão pequenos, seja escrita em livros do ensino fundamental, ou imageticamente construída em filmes, traz à superfície o factível e palpável apagamento da vivência de mulheres, e principalmente, indivíduos não-brancos. O que dirá então, de mulheres em recorte racial e suas vivências.

Porque esse prólogo? Porque entender as estruturas do poder é entender sobre dominação e violência de gênero. E principalmente, é entender a história do feminino asiático. Continuar lendo

Representação trans e a grande estréia de Ian Alexander em OA

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Tradução do texto de John Walker para o site Vulture. Para a postagem original clique aqui.


Ian Alexander teve a semana que muitos aspirantes a atores somente sonham. Na última sexta-feira (16/12/2016), esse jovem de 15 anos teve a sua estréia profissional na série de ficção científica da Netflix: The OA. Ele interpreta Buck Vu, um estudante dos subúrbios que se torna amigo de um anjo interdimensinal (ou, pelo menos, com uma mulher que diz ser um anjo interdimensional). E ele também é um homem asiático trans – um tipo de personagem que raramente, ou nunca, foi apresentado na televisão.

De acordo com a GLAAD (Aliança de Gays e Lésbicas Contra a Difamação), somente 16 personagens fixos e recorrentes foram encontrados em roteiros de televisão nessa temporada. Somente quatro desses 6 eram homens, e somente um era asiático. Levando em consideração o mau tratamento de Hollywood com atores trans e asiáticos, não é de se admirar que as pessoas de diferentes nichos da internet tenham gravitado sobre a performance sensível e acalentadora de Alexander. Nessa quarta-feira (21/12/2016), no meio das férias de inverno, a Vulture conversou com Alexander sobre The OA, sua atuação e o que Buck significou para ele.

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Que minha pequena voz alcance a sociedade: Uma mensagem de Aya Kamikawa

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No dia 29 de Fevereiro comemora-se o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais. Esse dia foi criado em 2004, quando o Ministério da Saúde e entidades da sociedade civil lançaram a campanha “Travesti e Respeito”, em reconhecimento à dignidade dessa população.

Segundo o Relatório de Violência Homofóbica publicado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, travestis e pessoas trans são as mais suscetíveis à violência, manifestada na forma de injúrias, agressões físicas e psicológicas, tratamento abusivo e assassinatos. E segundo o Projeto de Monitoramento de Assassinatos de pessoas Trans da Europa (TMM), o Brasil é o país que mais matas travestis e pessoas trans do mundo. E por causa da transfobia e rejeição, pessoas trans são nove vezes mais propensas a cometer suicídio.

Apesar de tanto sofrimento, pessoas trans no Brasil e ao redor do mundo tem lutado para melhorar a condição de vida e alcançar o direito de viver plenamente a sua identidade de gênero. Uma dessas pessoas é a militante, autora e a primeira pessoa abertamente trans a conseguir ser eleita no Japão: Aya Kamikawa.

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“Existe toda uma história que constrói meu corpo e ele é percebido por estereótipos” – entrevista com Ana Tomimori

A exposição Pós-poéticas, em cartaz desde o dia 18 de novembro, inaugura o Espaço das Artes, antigo Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo. A mostra traz obras dos artistas Ana Tomimori, Andréa Tavares, Cassia Aranha, Filipe Barrocas, Inês Bonduki, Julia Mota, Juliano Gouveia dos Santos, Pedro Hamaya e Renato Pera, relacionadas às pesquisas de pós-graduação de cada um deles ao longo dos últimos 2 anos.

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Registros da intervenção urbana “Bandeira”

Ana Tomimori, artista visual integrante da exposição, tem nacionalidade brasileira e ascendência japonesa. Seu trabalho apresentado na Pós-poéticas investiga como o discurso hegemônico e colonialista europeu acaba deixando seus rastros de exclusão. Sob o olhar de mulher não-branca, suas obras trazem marcas dessa vivência e da história que ela carrega  reinterpretadas pela própria artista. Ana, com a não-neutralidade que o corpo asiático carrega, apresenta desde bordados até intervenções urbanas, que exploram os estereótipos que automaticamente são associados  a etnias não-brancas.

A entrevista na íntegra, a segunda da seção de Entrevistas Populares, você confere a seguir!

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Enquete revela como pais japoneses encaram questões LGBT+

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Parada do Orgulho realizada em Tóquio no ano de 2016

Administrada pelo grupo Letibee, o LGBT Marketing Lab foi criado com o objetivo de apresentar medidas afirmativas de marketing para empresas baseado em enquetes, pesquisas e compartilhamento de informações.  No dia 18 de Agosto de 2016 eles divulgaram uma pesquisa intitulada “Pergunte aos pais: E se seu filho saísse do armário?”.

Essa enquete foi realizada on-line e colheu os dados de 566 participantes (258 homens e 281 mulheres entre 30 e 59 anos) entre os dias 8 e 11 de Agosto. Com exceção da província de Yamanashi, foram coletadas as respostas de pelo menos um residente de cada província japonesa. Abaixo deixamos o relatório completo da pesquisa:

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‘Também temos memória, cérebro, coração, tripas’, Ingrid Sá Lee fala de arte e feminismo asiático.

Artista visual de origem norte-coreana, bissexual e deficiente auditiva traz seu trabalho para São Paulo.

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Entre os dias 13 e 15 de novembro, o Museu da Imagem do Som em São Paulo (MIS-SP) organiza a I Feira Des.Gráfica, com o intuito de promover publicações e quadrinhos que “desenvolvem trabalhos narrativos de experimentação gráfico-visual“. O foco do evento é na produção de vanguarda, abrindo espaço para artistas trabalharem suas autoralidades.

Ingrid Sá Lee, artista visual radicada em Belo Horizonte/MG estará no evento divulgando uma série de trabalhos que tratam da imagem da mulher asiática, fazem crítica ao imperialismo ocidental e aos ideais nacionalistas, ao mesmo tempo que reconstrói sua identidade étnico-racial. A artista estará expondo seu novo zine, “A Boneca“, e, em parceria com o coletivo feminista asiático LÓTUS PWR – Empoderamento do Feminismo Asiático, que se organiza principalmente na capital paulista, também estará vendendo material original colaborativo, com o intuito de subsidiar e fortalecer as ações do grupo.

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Arte para o coletivo LÓTUS PWR

Mestiça de pai norte-coreano, deficiente auditiva bilateral de grau moderado e bissexual, Lee organiza em sua obra as inquietações de uma pessoa que se encaixa frequentemente em uma “zona cinzenta” da militância política. O blog Outra Coluna inaugura sua nova seção de entrevistas populares celebrando essa trajetória, que torna o trabalho de Ing Lee tão autêntico e combativo, transformando a nossa luta também em resistência estética.

Leia a entrevista na íntegra a seguir! Continuar lendo

O que faz de Bruce Lee um cara universal e por que Hollywood continua errando?

Por Fábio Ando Filho e Rodrygo Tanaka.

“Eu vim para São Francisco em 1964, na esperança de me encontrar. Dei minhas voltas, aprendi sobre cogumelos, ácido e amor livre. Mas nada daquilo era o que eu precisava. Então um dia, fui andar pela Chinatown, onde descobri o kung fu. E foi assim que conheci Bruce Lee.” É assim que começa o trailer do novo filme-biográfico (biopic) de Bruce Lee, Birth of the Dragon(2016) (O Nascimento do Dragão, ainda não traduzido para o português): com a crise existencial de um homem branco fictício que apresenta Bruce Lee como um mero suporte narrativo ao seu arco de personagem. Tudo para que, no fim das contas, o homem branco conquiste a mulher asiática. Continuar lendo