Corte constitucional de Taiwan decide em favor do casamento igualitário

A Corte Constitucional decidiu que as leis atuais, impedindo que pessoas do mesmo sexo se casem, violam o direito à igualdade e são inconstitucionais.

Foi dado ao parlamento o prazo de dois anos para criar emendas para as leis atuais ou aprovar novas leis sobre o assunto.

A decisão histórica de quarta-feira chega num momento em que a comunidade LGBT+ enfrenta um aumento da perseguição na região.

Em um comunicado à imprensa após a decisão, a corte disse que “proibir duas pessoas do mesmo sexo de se casarem, com o intuito de proteger ordens ética básicas” constitui um “tratamento diferente” “sem embasamento racional”.

A corte concluiu que “tal tratamento diferenciado é incompatível com o espírito e significado do direito à igualdade” como protegido pela constituição de Taiwan.

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Feminismo Asiático: Identidade, Raça e Gênero

Pela vocalização e empoderamento de mulheres com ascendência asiática no movimento feminista contemporâneo.

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Atenção: No texto há imagens e relatos de violência contra mulheres asiáticas no curso da História, especificamente em períodos de guerra, sendo a exposição de tais fatos e fotos necessárias no objetivo de não mais perpetuar, ou ser conivente, com o apagamento e silenciamento de mulheres asiáticas na História da Humanidade.

“Cultura”, é um substantivo que designa padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, e assim distinguem um grupo social.

Quando falamos sobre cultura do machismo, está intrínseco a compreensão no qual vivemos sob estruturas patriarcais; patriarcado este criado através de processos históricos simbióticos à hierarquias de poder. A hegemonia construída através do imperialismo colonialista trás consigo um privilégio ainda — infelizmente — duradouro, e que continua à dizer qual é o curso da História. Ou mesmo, quem consta na tão dita “História da Humanidade”.

Esta História contada para nós desde tão pequenos, seja escrita em livros do ensino fundamental, ou imageticamente construída em filmes, traz à superfície o factível e palpável apagamento da vivência de mulheres, e principalmente, indivíduos não-brancos. O que dirá então, de mulheres em recorte racial e suas vivências.

Porque esse prólogo? Porque entender as estruturas do poder é entender sobre dominação e violência de gênero. E principalmente, é entender a história do feminino asiático. Continuar lendo

20% dos trabalhadores japoneses já presenciaram assédio contra LGBTs no ambiente de trabalho

Notícia traduzida do Japan Times. Clique aqui para ler o original em inglês.

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De acordo com a Confederação Japonesa de Sindicatos (Rengo) mais de 20% dos trabalhadores já presenciaram atos descriminatórios contra pessoas LGBT no ambiente de trabalho.

Publicada no dia 12 de Outubro, essa foi a primeira pesquisa dessa natureza realizada pela Rengo. Ela foi conduzida online entre o dia 30 de Junho e 4 de Julho com 1000 trabalhadores, homens e mulheres, entre a idade de 20 e 59 anos. Entre os entrevistados, 8% se identificaram como minorias sexuais.

Aproximadamente 23% dos entrevistados disseram que testemunharam ou ouviram sobre assédio contra pessoas LGBT em seu ambiente de trabalho, incluindo 1,3% que afirmaram ter sofrido assédio.

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Reflexões de um homem asiático e bissexual

Texto de Alex Ka Wei Tso

Como asiáticos, não temos representatividade na sociedade brasileira, nem na mídia nem na política. Somos vistos como eternos estrangeiros em uma terra que também foi construída com a nossa participação. A invisibilidade e a falta de reconhecimento devido à nossa participação na construção sócio-político do Brasil nos torna um grupo extremamente fragilizado em termos representativos, o que por consequência nos prende à tipificações deveras problemáticas. Ao homem asiático, a nulidade de seu desejo sexual, a estigmatização de sua personalidade como dócil, passivo e o famoso “pinto-pequeno” (who cares? Parece ensino fundamental essa fixação que homens não-asiáticos têm com as nossas genitálias). Às mulheres asiáticas, o duplo peso, uma de ser desejada como mulher submissa, “kawaii”, perfeita para um matrimônio patriarcal ao extremo, ou por outro lado, a hiper sexualização, a venda da imagem asiática como figura exótica, o fetiche pelo oriente.
Invisibilidade, deslegitimação de nossas especificidades e opressões, falta de representatividade política, fetichização e a constante interferência externa sobre nossas identidades.
Como bissexual, e como asiático, consigo traçar paralelos muito facilmente.

1) Invisibilidade: não preciso nem comentar. O fato de vocês terem ficado surpresos ao fato de eu ter mencionado esta luta, diz muito do tamanho do nosso desafio. É igual quando questionam: “nossa, mas uma militância SÓ de bissexuais?”

2) Deslegitimação de nossas especificidades e opressões: “Nossa, mas você é quase-branco, você denunciar racismo contra amarelos é mimimi, vocês estão vulgarizando a luta dos negros” / “Nossa, mas vocês bis, são lidos como héteros e não sofrem preconceito, Bifobia não existe, o que vocês passam é homo/lesbofobia, Vocês estão fazendo um desfavor à causa LGBT, só criando mimimi sectarista”

3) Falta de representatividade política: Vale lembrar que por lei, imigrantes não podem se envolver em atos políticos. Isso por si só já desmantela grande parte do potencial organizativo das comunidades asiáticas no Brasil, como classe política. E para além disso, foi-se criado um “”estereótipo positivo”” do asiático como dócil, trabalhador e competente, que na verdade nos faz indagar – Positivo para quem? Oras, para a elite branca que soube, em cima deste discurso, domesticar os conflitos entre amarelos e brancos, colocando-nos em mea culpa como “quase, praticamente” brancos, e instigando um forte sentimento anti-negritude nas comunidades asiáticas. Veja os poucos políticos asiáticos que temos no Brasil, são todos aliados à setores conservadores da sociedade, extremamente meritocráticos.

4) Fetichização: mais com mulheres, mas também acontecem com homens. Abordagem de paquera nas baladas, é sempre um “nossa, nunca fiquei com um/uma asiática. Quero experimentar” como se fossemos seres extraterrenos, alienígenas, pokemons raros para dar “check” na pokedex do amor das pessoas. Para as mulheres, o quadro é muito mais grave, com a extrema voluptuosidade com que se pintam as mulheres asiáticas, se não como meninas passivas próprias para a monogamia patriarcal, como deusas do sexo exótico, do risco, da aventura, do perigo. Similaridades com as mulheres bissexuais?

5) Interferência externa sobre nossas identidades: em termos de racismo, o que não falta é gente não-asiática tentando dizer como ou o que é e deve ser o asiáticos, em todos os campos sociais – como e o que devemos comer, como e o que devemos cuidar dos nossos filhos, como e o que devemos lidar com o racismo, etc e tal. Vejo a mesma coisa com a bissexualidade, tanto héteros quanto a população LLGGGG são experts em cagar regra sobre o que é ser bissexual, como temos que nos relacionar, com quem ou quantos temos que gozar, por quem temos que nos apaixonar, e como devemos ou não participar do movimento LGBT.

Minha passagem e atuação no movimento bi conseguem me trazer à luz situações muito parecidas para os que estão em conflito com suas identidades asiáticas. Basta acompanhar os depoimentos das pessoas que encontram o Perigo Amarelo e lá encontram acolhimento e suporte. É como se tivéssemos que “sair do armário” no sentido de sermos tão invisibilizados que se apoderar de nossa história, cultura e origem étnica é frequentemente razão de muito conflito interno.

No fim, não sei se consigo responder diretamente: “Qual racismo os amarelos sofrem”, mas só sei que por uma conjuntura estrutural do racismo e da cultura etnocentrada no branco europeu, sofremos, por não nos vermos abraçados por ninguém, somente por nossa própria comunidade (por isso não adianta vir com aquele papo de “asiáticos são muito fechados, só andam com semelhantes” – afinal, já pararam para pensar em quem, de fato, não está querendo abrir as portas?)