Feminismo Asiático: Identidade, Raça e Gênero

Pela vocalização e empoderamento de mulheres com ascendência asiática no movimento feminista contemporâneo.

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Atenção: No texto há imagens e relatos de violência contra mulheres asiáticas no curso da História, especificamente em períodos de guerra, sendo a exposição de tais fatos e fotos necessárias no objetivo de não mais perpetuar, ou ser conivente, com o apagamento e silenciamento de mulheres asiáticas na História da Humanidade.

“Cultura”, é um substantivo que designa padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, e assim distinguem um grupo social.

Quando falamos sobre cultura do machismo, está intrínseco a compreensão no qual vivemos sob estruturas patriarcais; patriarcado este criado através de processos históricos simbióticos à hierarquias de poder. A hegemonia construída através do imperialismo colonialista trás consigo um privilégio ainda — infelizmente — duradouro, e que continua à dizer qual é o curso da História. Ou mesmo, quem consta na tão dita “História da Humanidade”.

Esta História contada para nós desde tão pequenos, seja escrita em livros do ensino fundamental, ou imageticamente construída em filmes, traz à superfície o factível e palpável apagamento da vivência de mulheres, e principalmente, indivíduos não-brancos. O que dirá então, de mulheres em recorte racial e suas vivências.

Porque esse prólogo? Porque entender as estruturas do poder é entender sobre dominação e violência de gênero. E principalmente, é entender a história do feminino asiático. Continuar lendo

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Memórias da resistência asiática na ditadura civil-militar

História e Memória são campos de batalha. Os verbos que acompanham esses nomes sempre provocam tensionamento: narrar ou contar uma história, explicar ou revisar uma memória. Falar do tempo implica uma geografia historicamente situada, uma forma de ser, uma visão cosmológica, uma vontade direcionada. História e memória são falas políticas, ou políticas de fala. O fascismo apagou línguas para que não falassem mais pelas suas próprias palavras. O colonialismo impôs suas línguas para que só se falasse através das verdades estabelecidas e apresentadas. O sonho do liberalismo é que a história fique restrita ao passado e que a memória não seja mais do que capacidade de processamento das transações do aqui e agora. O dominador moderno apaga as possibilidades do sujeito, transforma tudo em objeto e cria representações que melhor convêm às suas próprias vaidades.

Aprendemos a questionar a história oficial e a bater de frente com a memória do vencedor, e já o fizemos mais de mil vezes. Entretanto, às vezes não nos damos conta de que até a história da resistência configura moldes hegemônicos e trajetórias normativas. A história marginal também é contada por homens brancos e, enquanto isso, os rastros de nossa existência são meros espectros residuais em uma realidade ilusória e fetichizada.

Hoje, em meio à crise da democracia liberal e da liberdade que os oprimidos de sempre nunca viveram, recobramos nossas memórias para por em curso a história pela qual lutamos. Antagonizamos aqueles que prestam homenagens a torturadores da ditadura e combateremos até o fim o avanço conservador e autoritário do republicanismo colonial, racista e golpista. Hoje, contamos a história de pessoas asiáticas que morreram, desapareceram e/ou foram torturadas na ditadura civil-militar. Revolucionários, radicais, militantes que dedicaram suas vidas à luta contra o fascismo. É também pela memória dessas pessoas que seguimos em luta pela libertação de todos os povos, pela autonomia popular e pela emancipação da classe trabalhadora. E reivindicamos: existe uma história que ainda é marginal, porque ela é radical, porque ela não foi embranquecida, e nós nos juntamos a ela! Continuar lendo