Apresentação

Em fevereiro de 1965, morreu assassinado Malcom X, importante liderança do movimento negro nos EUA, entre as décadas de 1950 e 1960.. O momento foi imortalizado pela revista Life, que registrou em fotos o atentado. No momento, estava ao seu lado Yuri Kochiyama, que acompanhava uma reunião da Organização da Unidade Afro-Americana, com seu filho de dezesseis anos. Yuri então levava a sua vida militando pelos direitos da classe trabalhadora e das minorias não-brancas. Sua aproximação com Malcom X se deu principalmente pela consciência revolucionária que partilhavam, na construção de elos de solidariedade contra os avanços do imperialismo e os desdobramentos do colonialismo.

Durante a segunda guerra mundial, o pai de Yuri foi levado pelo FBI, morrendo no mesmo dia em que voltara para casa. Algum tempo depois, Yuri e sua família foram levados aos campos de internamento, reservados para pessoas de ascendência japonesa, onde ficaram detidos por dois anos. Quando foram libertados, a readaptação da comunidade japonesa à sociedade estadunidense foi acompanhada de um intenso processo de assimilação forçada, na tentativa de um desmantelamento dos modos de vida pré-guerra. Esta é uma das origens da manipulação racial que foi construindo a identidade dos japoneses-estadunidenses na ideia de minoria-modelo.[1]

Yuri logo reconheceu sua experiência de segregação racial no sistema de opressão sob o qual os afro-americanos viviam, no sistema de leis Jim Crow. Participou intensamente dos protestos contra a guerra do Vietnã e pela independência de Porto Rico. Teve atuação fundamental  na campanha que levou o presidente Ronald Reagan a assinar um decreto apresentando desculpas formais pelos internamentos forçados contra japoneses e instalando um sistema de reparações às vítimas destas violações. Continuar lendo

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